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Centro Acadêmico de Comunicação Social - UFPR
Movimento estudantil - Propósito e Objetivos |
MOVIMENTO
ESTUDANTIL
O
movimento estudantil é uma organização de luta pelas necessidades dos
estudantes e por um ensino público, gratuito e de qualidade para todos. É um
movimento histórico que sobreviveu à repressão da ditadura militar, ajudou a
derrubar regimes autoritários, não permitiu que o governo entregasse a educação
para a iniciativa privada e entre outras conquistas.
A
luta do movimento estudantil não se resume a problemas do curso ou da
universidade. Ela é muito mais abrangente e isto inclui discussões sobre
conjunturas nacional e internacional. Por quê? Vejamos: se a universidade
depende de recursos do Estado para se manter, é bastante lógico que o contexto
onde o governo está inserto terá influência direta na qualidade e gratuidade
do ensino. Se o governo acha que é dever do Estado manter apenas as funções básicas
da estrutura que mantém a sociedade (como educação básica: os ensinos
fundamental e médio) é óbvio que a Universidade deixa de ser prioridade e sua
gratuidade passa a ser questionada. No que se refere à conjuntura
internacional, as discussões sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC)
tornam-se extremamente relevantes, à medida que as resoluções desta organização
definem os serviços básicos como educação, saúde, saneamento básico e
outros como parte de um interesse do mercado.
Outro
tema importante é o FMI (Fundo Monetário Internacional). Nos últimos
anos do governo FHC ouvimos várias vezes palavras de ordem como “Fora FHC e o
FMI”. Mas o importante deste debate acabou ficando longe de grande parte dos
estudantes. Por quê “fora FMI”? Vamos tentar simplificar. Você pede
dinheiro emprestado para um agiota e negocia o pagamento, de acordo com as condições
dadas pelo agiota. As instabilidades na economia fazem com que os juros cresçam
com uma velocidade que você não consegue acompanhar. Em dado momento, a dívida
é a mesma e você está trabalhando só para pagar os juros. Com o tempo você
percebe que a quantia paga em juros já foi suficiente para pagar mais de dez
vezes a dívida e, no entanto, ela não pára de crescer. Com medo de perder o
que tem você se vê obrigado a continuar pagando a dívida e a diminuir gastos
importantes com necessidades básicas. É isto o que vem acontecendo com o
Brasil em relação ao FMI. Desde nossa “independência” fomos condicionados
a uma dívida externa que teve início com a Inglaterra. De lá para cá ela só
aumentou. E o FMI é um dos grandes responsáveis por isso. O superávit primário,
de que tanto estão falando no governo Lula, significou nos últimos dias um
corte de 14 bilhões de reais, que atingiu áreas sociais e também a educação.
Com o aumento do superávit o governo “espera” conseguir pagar uma quantia
razoável da dívida com o FMI.
Estas análises são bastante rasas, mas suficientes para demonstrar o quanto é importante nossa participação no movimento estudantil para que possamos entender que não teremos um curso com qualidade, uma universidade com qualidade, enfim, uma educação com qualidade se não tivermos um governo que dê condições para que isto aconteça e uma conjuntura internacional favorável.
Qualquer
estudante pode fazer parte do movimento estudantil, independente de crenças
religiosas, raça, ideologia, participação em partidos políticos etc. A
participação pode se dar em Centros e Diretórios Acadêmicos, DCE, executivas
e federações de curso ou qualquer outra entidade representativa dos
estudantes. Mas é importante deixar claro que a participação no movimento
estudantil não implica necessariamente a militância em alguma dessas
entidades. O estudante que acredita ser importante lutar por uma educação
gratuita e de qualidade pode participar de atos, manifestações, debates,
discussões e de qualquer outra atividade promovida pelo movimento estudantil.
Se
você quer fazer parte do movimento estudantil, comece conversando com alguém
do seu Centro Acadêmico ou se candidatando a fazer parte dele em eleições
futuras. Com certeza quanto mais pessoas se preocuparem com algo além de seu
diploma, mais condições teremos de lutar por uma universidade publica,
gratuita e de qualidade. Na Reitoria sempre há encontros que reúnem estudantes
de vários cursos, palestras e debates sobre as diretrizes e próximos atos da
política estudantil. Você poderá encontrar cartazes e folhetos das próximas
ações do movimento estudantil da UFPR no DCE e espalhados pela faculdade. Aí
é só comparecer aos encontros e arregaçar as mangas!