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Centro Acadêmico de Comunicação Social - UFPR
História da Comunicação |
A Origem da Escrita
Por
Fernanda Zettel
Entre
6.000 e 3.000 a.C. o Homem substituiu a caça pela agricultura e pecuária de
subsistência (Revolução Neolítica). Fixou-se em colônias que evoluíram
para cidades-estados com forte centralização política. Assim, por razões
essencialmente econômicas, surge a primeira forma de escrita para suprir a carência
de um sistema de controle e contabilidade. A origem da escrita é atribuída aos
sumérios e primeiramente concentrava-se no meio religioso, nas mãos dos altos
sacerdotes, só sendo popularizada centenas de anos mais tarde.
As
primeiras peças escritas foram encontradas na cidade de Uruk, na Mesopotâmia.
Datam de 3.300 a.C., e se constituem de placas retangulares e convexas de
argila, nas quais figuravam imagens de objetos concretos - os “pictogramas”,
e sinais abstratos interpretados como números.
Trezentos
anos mais tarde, os sumérios já haviam desenvolvido sinais fonéticos (que
representam sons) e ideogramas (sinais que representam algo não necessariamente
concreto), isto é, pictogramas menos ligados à realidade visual. Os sinais silábicos,
parte dos fonéticos e derivados dos ideogramas, tinham valores gramaticais e
eram utilizados para exprimir partes do discurso que, por sua natureza, não
poderiam ser expressos de forma figurativa. Portanto, os sumérios não alcançaram
a criação de um alfabeto, ou seja, um sistema em que os sinais são
independentes e formam palavras quando justapostos (como o de vogais e
consoantes).
Devido
à dificuldade de se trabalhar em argila fresca, e pela própria evolução da
escrita, estes sinais tornaram-se mais estilizados e assumiram aspectos característicos
de pregos, cunhas, por esta razão recebendo a denominação de escrita
“cuneiforme”.
Outros
povos do Oriente, embora não falassem o sumério, adotaram esta forma de
escrita, como os persas, os assírios e os babilônios.
Na
cidade de Ebla, situada na Síria Setentrional, ou seja, fora dos limites da
Mesopotâmia Meridional, também se utilizava a escrita cuneiforme, como foi
descoberto recentemente. Vieram à luz arquivos do Palácio Real de Ebla,
contendo textos administrativos e três vocabulários de cerca de 1500 palavras
cada, que traduziam, com precisão irrefutável, palavras sumérias para o
idioma corrente em Ebla nesta época. São os vocabulários mais antigos de que
se tem notícia.
Os
babilônios e assírios – que sucederam a civilização acádica na Mesopotâmia
e cujo rei Sargão subjugou Ebla – também realizavam escritas cuneiformes. No
segundo milênio antes de Cristo, os babilônios desenvolveram esta forma de
escrita até que atingisse sua forma considerada clássica, registrada no
famigerado Código de Hamurabi. Este povo ministrava línguas
estrangeiras e desenvolveu organizações gramaticais e dicionários.
Egito
O
sistema de escrita egípcio, estruturado em ideogramas, sinais fonéticos e
sinais alfabéticos, nunca aproveitados para formar um verdadeiro alfabeto, foi
denominado pelos gregos de hieróglifos (Hieros = sagrados, Glifos
= sinais) por serem utilizados fundamentalmente em objetos e ritos funerários e
também sobre o tecido que envolvia as múmias.
Como
a escrita hieroglífica baseava-se principalmente na estética do conjunto era
trabalhada cuidadosa e lentamente. Logo tornou-se necessário adquirir uma forma
de escrita cursiva mais prática e rápida, que perdeu, ao longo de sua construção
e evolução, paulatinamente, seu caráter ideográfico. Embora preservasse os
princípios básicos da escrita, foi batizada pelos gregos de hierática
por ter sido empregada apenas em textos religiosos.
Os
mais diversos materiais eram aproveitados pelos egípcios para a fixação de
seus escritos, como pedras, fragmentos de terracota ou de rocha calcária
(conhecidos como óstrakas), tábuas de madeira. Para obras mais luxuosas
empregava-se um material mais nobre, o papiro, que originou o nome do papel
atual (papier em francês e paper em inglês).
Fonte: Giovani Giovaninni, "Evolução na Comunicação".
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